A arte de fazer mandalas

Um pouco mais da minha história…

A Mandala surge em minha vida, por volta de 1992, 1993, quando tinha meus doze ou treze anos. Eu, meus irmãos e amigos desenhávamos riscando o chão, com algumas figuras geométricas interpostas. Tínhamos a intenção de atrair discos voadores. Foi mais ou menos nessa época que me envolvi com uma atividade mais perigosa do que essa: a pichação!

A pichação surtiu um efeito tão grande na minha vida que não poderia ter sido outra coisa a se fazer. Ela surge como uma reação objetiva ao mundo que me cercava, que era agressivo, quase selvagem. Em meio ao caos urbano onde estudava, e a paz de se morar no sítio, encontrei na pichação um elo entre os contrastes em que vi na vida.
Encontrei na pichação, uma maneira de expressão. De exprimir o que sentia pelo mundo em que vivia. Não fazia grafite. Era pichação mesmo. Com apelidos e as gangues. Pichava com spray. E mesmo sendo menor de idade, dava um jeito de conseguir sprays.

Essa fase durou mais ou menos uns três ou quatro anos. Acho que parei por volta de 1996 ou 1997.

Eu só fui me aventurar novamente com a arte visual, quando passei a fazer uns desenhos encomendados por meu pai. Isso já foi no final de 2000. Durante todo esse período, eu fazia alguns desenhos avulsos em cantos de caderno, ou uma vez ou outra me aventurei em algum desenho mais elaborado.

Foi mais ou menos em 2001 que a minha mãe começou a desenhar algumas mandalas. Esse também foi um reencontro com as mandalas.
Mas só foi a partir de 2003 que resolvi me aventurar no mundo das mandalas mais a fundo. No dia 17 de janeiro, iniciei meu primeiro esboço de uma mandala. Terminei no dia 24 de mesmo mês.

Em fevereiro, já haviam sido três. Todas diferentes umas das outras. Nessa época eu realmente gostei muito da idéia de desenhar mandala. Parece que foi uma atração. Eu me sentia muito à vontade, como há muito tempo eu não me sentia. Talvez, a última vez que tive um sentimento parecido foi na minha infância, quando ganhei o boneco do he-man.
Em março eu produzi 11 mandalas. Em abril mais 15. E, até agosto, eu tinha desenhado um total de 52 mandalas. Quase 6 por mês.

E em julho eu comecei a pintar. Lembro que fui na loja comprar o material de pintura. Quando cheguei em casa, fiquei olhando as telas, as tintas, os pincéis, e o tripé, igual bobo. Até chorar eu chorei. Lá pelo final do mesmo mês, eu entrei num curso de pintura com o Larama.

O Larama era do tipo do pintor chamado ‘alternativo’. Usava algumas técnicas particulares, e intitulava suas obras como ‘Realismo Fantástico”. Foi a partir desse encontro que eu comecei a realmente me interessar pela mandala. Por incrível que pareça, novamente chego a pensar que não poderia ter sido outra coisa a se fazer senão entrar no curso com o Larama.

Pois o foi o mestre Larama que me ensinou sobre o que era a minha arte. E me ensinou também que o que eu fazia era realmente arte. Na verdade, esse pode ter sido o principal ensinamento que ele me passou.

Entre o final de julho e o final de setembro, eu terminei meu primeiro quadro. Não era uma mandala, mas era um quadro. Utilizei as técnicas que o Larama havia me passado, mas o que eu queria mesmo era pincel e tela. Em novembro, eu saí do curso. Terminei meu segundo quadro no final desse mês. Também utilizando a técnica do Larama. Pintura a óleo no eucatex.

Foi entre o final de novembro e final de dezembro, que pintei a minha primeira mandala com pincel e tela. A mandala do signo do meu pai. E, até o final do ano de 2003, eu já estava com 3 quadros, sendo uma mandala e 70 desenhos de mandalas.

Em 25 de dezembro de 2003, eu me mudei para o meu sítio.
Não estava me envolvendo muito com a pintura. Queria viver no sítio, morar, plantar… Mas continuei a desenhar. E a pintar.
Em fevereiro, ganhei meus primeiros 100 reais com a pintura. Fiz um quadro pra minha avó. Também cheguei a receber uma outra encomenda de um amigo. Paguei algumas aulas de capoeira com desenhos de mandalas.

Até junho de 2004, eu não investi muito na pintura. Também, era uma coisa muito nova pra mim. Muito diferente do que eu já tinha feito. Ao mesmo tempo ela me permitia um potencial de criação enorme, mas eu esbarrava na falta de prática. Novamente eu me vi numa situação que já se tornou familiar: não existia outra coisa a se fazer a não ser decidir um caminho a percorrer. Pintar ou não pintar? Eis a questão.

Até junho, eu produzi mais 36 desenhos de mandalas (106, com as de 2003) e mais 6 quadros (total de 9).
Em julho, eu recebi duas outras encomendas. Uma era de um amigo meu, e a outra de um amigo do meu pai. Essas eram mandalas personalizadas.

E, a partir daí, eu comecei a me apaixonar verdadeiramente pela pintura. Mas isso só aconteceu, porque eu comecei a entender e a traduzir a ‘linguagem’ da pintura. E claro, da arte.

De julho até o final do ano, eu pintei 18 quadros, sendo 24 no ano todo de 2004, e 27 no total geral. Desse total, 16 foram encomendados.
Os desenhos, por sua vez, diminuíram. Cheguei no final de 2004, dois anos de desenho de mandalas com 114 desenhos.
De janeiro até abril de 2005, eu já tinha pintado 18 quadros. Isso fazia um total de 45 quadros. Sendo 21 encomendas de mandalas personalizadas; 13 encomendas de mandalas; e 11 criações avulsas.

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